Venha celebrar o Novembro Negro na exibição do documentário Exú Tranca Rua e seus Caminhos em uma sessão comentada com os diretores e convidados no Teatro Unisinos. A exibição será dia 28 de novembro, quinta-feira, às 19h.
Selecionado pelo Festival Cinema Negro em Ação, o documentário explora as raízes e os mistérios das religiões afro-brasileiras, por meio de um importante rito de celebração conhecido como Elebó, na rotina de uma Casa de Santo da capital gaúcha. O filme já passou por duas sessões com ingressos esgotados na Cinemateca Paulo Amorim, da Casa de Cultura Mário Quintana, e na emblemática Cinemateca Capitólio.
Dirigido por Luis Ferreirah, Exú Tranca Rua e Seus Caminhos, tem produção de A Diáspora Filmes, trilha sonora do rapper Zudizilla, e codireção do Babalorixá Pai Dieison de Xangô. O longa aborda significados e tradições da Quimbanda, prática religiosa de forte presença no Rio Grande do Sul, estado com a maior parcela de fiéis de religiões afro do Brasil.

"A gente apresenta o nosso Tranca Rua, a partir da nossa visão de mundo, da ritualística da Quimbanda, do nosso entendimento e do nosso olhar sobre o que ele representa em nossas vidas", explica Pai Dieison de Xangô.
A Quimbanda é tida como uma ramificação da Umbanda e também como uma expressão religiosa independente. Ela é marcada pelo culto de Exus e Pombagiras, entidades que estariam, energeticamente, mais próximas da condição humana.
"O filme cumpre um papel de educação e desmistificação de tudo que o Povo de Exú representa. Durante muito tempo, a estrutura em que vivemos, que é naturalmente racista, desenhou uma figura demoníaca associada ao Povo de Rua, aos Exús. Fazendo um desserviço à nossa tradição.", explica Luis Ferreirah, diretor do filme.
AS RELIGIÕES AFRO NO RIO GRANDE DO SUL
O Rio Grande do Sul tem a maior parcela de fiéis de religiões de matriz africana do Brasil. Os dados do censo demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram, no levantamento de 2010, que o Estado figurou com o maior percentual de adeptos da umbanda e do candomblé, as duas principais religiões afro-brasileiras. O Estado também foi campeão em números absolutos, representando 1,47% dos gaúchos — isso representa um percentual bem acima do nacional, de 0,3%. Os dados sobre religião do Censo de 2022 ainda não foram divulgados pelo IBGE.